17.6.09

Discurso delícia.

Saudade; do latim, soletudini. Lembrança nostálgica e, ao mesmo tempo, suave, de pessoas ou coisas distantes ou extintas, acompanhado do desejo de tornar a vê-las ou possuí-las, nostalgia.


 Senhor Presidente,

Demais membros da mesa,

Professora Jacqueline

Colegas, visitantes, Boa tarde.


E hoje eu sinto saudade

           

            Saudade é sentimento humano com difícil tradução, que traz em si diversos significados, dependendo do contexto onde é aplicada. A saudade descreve a mistura dos sentimentos de perda, distância e amor, e tem como principais sinônimos “solidão”, “nostalgia” e “lembrança”.

            Diz a lenda que na época do Brasil colônia, foi muito sentida, muito presente no dia-a-dia dos colonizadores portugueses que se encontravam aqui, em terras brasileiras,  para definir a solidão e a falta que sentiam dos seus entes queridos que, naquele instante, para eles, estavam além-mar.

        Tal sentimento, em poucas palavras, é uma prova indiscutível de tudo o que nos marcou de alguma forma. É um registro fiel do nosso passado, da nossa vivência.

Todos nós já sentimos, em algum momento das nossas vidas, a saudade. É um sentimento doloroso, inconfundível e muitas vezes atormentado. Pode possuir um lado ruim e um lado bom. A saudade não é ausência, como muitos pensam, mas é a presença, a vontade de viver o presente, porém é a espera do retorno de algum detalhe da nossa lembrança.

Pelo lado ruim, nós tentamos afastá-la, esquecê-la, muitas vezes sem muito sucesso. E quando ela volta, volta com mais intensidade e a dor acaba se tornando pior. Quanto mais o tempo passa, mais forte ela fica e, as lembranças que um dia já foram claras, acabam se tornando quase indecifráveis.

A saudade não possui um estudo científico, e continua, como tantos outros sentimentos humanos, sem palavras para descrevê-la.

A saudade não se estuda, se sente. A saudade não se vê nem se toca, se sente. A saudade não possui cores, mas ainda a sentimos. É uma coisa só, em diferentes palavras, em diferentes contextos, em diferentes enredos.

É uma palavra, é um sentimento que atravessou gerações, histórias, memórias e, ainda assim, continua vivendo. É um dos assuntos mais abordados das poesias e músicas brasileiras, é um tema crônico. Não importa o gênero literário, a época, o ritmo ou a cor, a saudade sempre está e sempre estará presente nas artes, nas vidas de seus autores e das pessoas que a sentem.

Ao confessarmos o motivo de uma saudade nossa, estamos presumindo que, ao menos durante um momento das nossas vidas, conhecemos uma ou mais pessoas e vivemos um ou mais instantes bons, que nos fizeram bem. E serão eternas lembranças.

A nossa memória falha quando se trata de lembranças distantes, de um passado que já aconteceu há muito tempo. O nosso coração enfraquece ao lembrarmos pessoas ou momentos que nos fizeram sonhar, sorrir, aproveitar, transformar. A saudade nos entristece, acaba nos desanimando. Tentamos correr pra longe, fugir dela. Mas uma hora ou outra, ela sempre acaba nos encontrando, por mais longe que estejamos.

Depois de sentirmos a falta de momentos, de lugares, de pessoas, de um show, de uma música, de um passeio, de uma festa, acabo me perguntando: tem coisa melhor que, depois de toda aquela espera angustiante, aquela saudade dolorida, aquelas lembranças inesquecíveis e insaciáveis, existe algo melhor do que matar a saudade daquele lugar em que você foi feliz? Daquele querido amigo que você não vê há muito tempo? De relembrar todos os momentos felizes do seu passado?

Tenho saudade de muitas pessoas, muitos momentos, muitos lugares, muitas músicas, muitas viagens. Tenho saudade da minha infância. Mas o que eu realmente gostaria de saber é sobre você, quais são as suas saudades?

 

Obrigada.


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É,  foi hoje. E eu fui bem, ebaaa :)