É como se um vazio invadisse a sua mente.
Como se eu estivesse consciente, racional, escrevendo, copiando a matéria do quadro da escola ou resolvendo uma palavra-cruzada. De repente, tudo some.
Digo, não some, mas o 'tudo' vira branco. Ou preto.
Será que lembranças esquecidas têm cor? As minhas são brancas.
Brancas.. diria que são brancas por causa da paz já esquecida. Não? Sei lá, não sei.
Brancas.. diria que são brancas por causa da paz já esquecida. Não? Sei lá, não sei.
Ou talvez sejam essas lembranças esquecidas que, no final da vida, conforme falam, talvez sejam essas as lembranças que eu vou recordar. Ou não né.
Se a Alemanha fosse uma pessoa, eu já teria a matado à muito tempo.
Na verdade, dois anos atrás. Não precisa de explicações. Precisa? Ok.
Por 3 simples motivos. Dois, se eu resumir.
Primeiro, A Menina Que Roubava Livros. O livro que arrancou dos mais rabugentos críticos literários, críticas posivitas, animadoras e perfeitas. Que arrancou de todos os seus leitores, os seus fôlegos. Que me arrancou lágrimas nos últimos capítulos e que arrancou de muita gente palavras para descrever tal obra-prima.
Quando li aquele livro, aliás, sempre fui curiosa quando se tocava no assunto 'Segunda Guerra Mundial'. E ainda sou, confesso. Não apóio nenhuma opinião nazista. Mas penso que Adolf Hitler foi um gênio, e tenho dito. Mesmo assim, quando terminei de ler aquele livro, tive vontade de matar a Alemanha. Por que fez o que fez à menina Liesel Meminger? Senti tanta raiva naquele momento em que passava meus olhos por aquelas tão doloridas palavras, que quase senti em minha própria pele. Nunca vou me esquecer que eu estava voltando de viagem naquele dia, e meus mais preciosos tesouros tinham sido roubados de mim. Minhas cachorras haviam fugido. Nunca chorei tanto na minha vida. E, juntando à essa confusão, chegamos ao segundo motivo.
Segundo, meu melhor amigo (que não sei se o considero assim hoje em dia, mesmo querendo muito), que iria, alguns dias depois daquele retorno meu à minha cidade, embora. Pra onde? Adivinhe!
Acertou quem pensou na Alemanha.
Sim, eu tinha me preparado durante uns 3 meses pra dizer aquele adeus, ou até logo, como queiram. Não adiantou. Dois meses antes, em seu aniversário, me abri, como nunca tinha feito antes na minha vida. Quase implorei pra que ele ficasse. Poderia estabelecer-se na minha casa, se preferisse, mas por favor, que não fosse. Perdi a linha do pensamento em seus braços, minha amiga veio pra ver se eu respirava fora do abraço apertado dele. Meu Tiago. Até hoje faz falta na minha rotina.
Como eu já coloquei aqui, à alguns dias atrás, não há tecnologia o suficiente pra saudade se calar. Ainda não, pelo menos.
Terceiro, a boa e velha Alemanha teve coragem de me roubar a minha melhor amiga também. Daqui a alguns dias, eu vou dar mais um "adeus, tchau, até logo, vou sentir saudades, não se esquece de mandar notícias". E o futuro dela é na Alemanha. Minha mente tá pirando, suplicando pra que a Alemanha devolva o que me pertenceu e o que me pertence.
Não estou sendo egoísta, porque sei que as pessoas também serão egoístas quando eu for. Não pra Alemanha, mas pro mundo. Menos pra Alemanha. Me recuso.
Ah, se a Alemanha fosse uma pessoa..
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Não tenho nada contra a Alemanha, aos alemães ou às tradições germânicas, porque sou resultado de uma nação chamada Alemanha também.