23.7.09

O céu é o limite


Até já tentei me desafiar, ver até aonde eu poderia ir com aquilo, qual seria o meu limite.

Mas, o que eu não tinha percebido, é que eu já havia passado o meu limite, mas em silêncio. E eu permanecia em silêncio, o tempo todo. Por quê? Não era assim, não sou assim.
O meu limite já estava no horizonte atrás de mim, e eu ainda continuava. Com que força eu ainda conseguia continuar? Não faço nem idéia da onde tudo isso surgiu. Nem como tudo sumiu.
Como eu já disse, tudo virou um branco, de minha paz já esquecida. E agora, mesmo no presente, eu ainda não conseguia parar.
Tinha virado um vício. Uma vício sem paz, um vício sendo quase uma obrigação, um vício que já não era mais um vício.. Era um alívio, de certo modo e, se eu não o fizesse, eu explodiria, falaria sem pensar, perderia parte da minha vida e cairia do precipício.
Eu honestamente conseguia ter uma liberdade, um direito de faltar, de parar. E hoje em dia nem essa opção existe mais, não na minha cabeça.
Eu escrevo o quanto eu quero, porque eu quero, sobre o que eu quero, com a regularidade que eu quiser. E sempre foi assim. Mas já havia passado dos limites, dos meus limites. Eu nunca cheguei a sentar na frente de um papel e me forçar a escrever, com a exceção do meu discurso. Aquilo foi a única obrigação que eu tive pra escrever, pra TER que escrever alguma coisa. E as aulas de redação, claro. Mas isso de certa forma não conta, porque foi lá uqe eu aperfeiçoei a minha escrita, e minha vontade de escrever se tornou maior.
E, além de ter virado uma obrigação naquele momento, era preciso que saísse algo produtivo, que a editora gostasse, que o público gostasse e, acima de tudo, que me agradasse. Nunca tive uma tarefa tão árdua e difícil na vida.
O tempo passava, os ponteiros do relógio andavam e eu ali, vidrada em um papel em branco. Me desesperei depois de três horas. Comecei a escrever descontroladamente, sem lembrar dos limites, que eu já havia passado. Já não dormia fazia tempo.
Tempo, a palavra que eu mais odiei naqueles dias. E a palavra que eu me pegava, constantemente, pensando sobre.
É um sentimento tão mágico, ver todo o trabalho pronto agora, sem lembrar do 'durante'. Sou eu a única problemática aqui ou os outros escritores amadores sofrem assim também? Curto tempo, muita coisa, muita coisa, muita coisa. Quase enlouqueci.
Afinal, bom é não saber o quanto a vida dura.
Chega até a ser clichê.