14.8.09

o tempo passou, tudo mudou.


No início tudo era perfeito. Os gostos eram iguais, os sentimentos eram inocentes, a amizade era permanente. As músicas eram tudo, os jeitos se complementavam, as frases que permaneciam inacabadas por um, eram finalizadas pelo outro.

Os poemas, as promessas, as juras.. E o sentimento cresceu, evoluiu.
Mais músicas, telefonemas, silêncios repentinos entre os dois. A respiração calma era próxima, o coração dentro do peito acelerava. O celular sempre perto, quando estavam distantes. Telefonemas constantes, perguntas distantes.
O tempo passou, o amor dele aumentou.. o dela não. Não sabia mais o que fazer, se continuava, se esquecia, se deixava passar, se esperava. As conversas constantes, os telefonemas diários, os encontros da rotina.. Tudo a aborrecia.
Nunca foi de se prender à uma pessoa, havia aprendido a entender-se consigo mesma, a conviver consigo mesma. Pois assim que sempre foi. Sempre era. Nunca quis nada sério, nunca se interessou. Se contentava consigo mesma. E seus amigos, suas companhias passageiras.
Estava se auto-desafiando, ver até onde ia. Não agüentava mais, nem dois meses faziam.
Os sentimentos dele, aumentaram. Os dela, não.
O tempo passava, ela continuava indecisa. Ele via nos olhos dela, ele permanecia ao seu lado, pedia para confiar nele. Mas ela era o problema, ela não era daquele jeito. Queria ser sua, mas esperava pela coragem de se entregar, perdendo forças. Perdeu forças. Perdeu forças. Perdeu.
Ele não desistia, jamais desistiria. Ela sabia disso. Ele também.
Ela passara de seu limite a algum tempo, mas não falou. Tentou, tentou, tentou.. Não falou.
Começara a evitar encontros, desligava o celular, fingia que não estava em casa, ouvia músicas que traziam outras pessoas à sua cabeça. Saía com os amigos, as amigas, esquecia dele. Esquecia.
Quando estava com ele, lembrava de outros. Quando estava sem ele, preferia outros. Sua cabeça não pensava mais neles, nos dois. Pensava no futuro dela, na viagem que se aproximava, no ensaio da semana que vem, na apresentação que estava se aproximando. Em tudo, menos nele.
Ainda deixava o celular próximo, esperando a resposta da amiga, pra ver se iam na festa, ou não. Sentava na frente do computador, e esperava o seu amigo entrar, ia resolver outras coisas.
O fim veio quando ela o bloqueou, simplesmente para evitar conversas. Queria falar com todos, com exceção à ele. Não atendia mais o celular, dava quaisquer desculpa para não ir ao encontro dele.
O tempo passou, os sentimentos dele aumentaram. Os dela, sumiram.