Uma mãe solteira com três filhos: uma garota, pré-adolescente, de 12 anos que fala mais do que o próprio tamanho, uma garotinha – com carinha de anjo – que não pára de correr de um lado para o outro e um pequeno garoto, ainda de colo e com aqueles profundos olhos azuis e perfeitos cachos loiros envolvendo a sua carinha de criança de colo ainda, que só chora, o tempo todo.
Um casal jovem, que discute sobre tudo e todos. As discussões variam entre o clichê olhar dele para aquela ‘outra’ que passou, o absurdo preço da bata que ela gostou e vai comprar, a conversa sobre a relação que eles não tiveram no dia anterior e a visita da mãe – dela – no final de semana, que será insuportável.
Um homem de meia idade, aparece por ali todo dia, toma o seu expresso, lê o seu livro que muda semanalmente. Não muito bem vestido, barba por fazer, óculos já surrados pelo uso excessivo e cabelos sempre desalinhados.. visualmente abatido talvez pela solidão.
Uma senhorinha da melhor idade acompanha, também todos os dias, o movimento do lugar. Senta, recebe o seu café e adiciona duas colheres de açúcar. Sempre. E observa. Tudo passa por seus atentos e precisos olhos. As pessoas, os animais, as folhas que se movimentam no chão com a leve brisa do fim de tarde, as gotas de chuva quando ocasionalmente chove.. Como se ela lesse, em cada pessoa, em cada folha no chão ou em cada gota da chuva, um livro inteiro.
Uma garota, nem bonita nem feia, não muito distante dos dezoito anos de idade, mas com um olhar de criança sonhadora, com um pequeno caderno e um lápis, escrevendo. Não se sabe ao certo o quê. E uma felicidade contagiante. É alegre de tal forma que nenhum mau tempo pode tirar dela, ou uma má notícia.
Ali, naquela mesa, ela senta. Com um livro, um caderno, um lápis e uma xícara de café. Sempre que pode, aparece. Com uma felicidade que a faz sorrir sozinha.