10.5.10

sem partes

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Havia cansado de acordar no meio da noite procurando pelo que me amedrontava, tinha desistido de resistir à prisão que meu inconsciente me condenava todas as noites.

Não esperava mais mensagens felizes, não acordava e corria para a janela encontrar o céu azul de inverno, não escrevia com a certeza que alguém me entenderia.

Não queria ser encontrada, não queria ser reconhecida. Não queria mais respostas, não esperava por respostas, não procurava por explicações, não esperava encontrar alguém que me desse explicações. Não tinha certeza do que era, do motivo que escrevia, não sabia quem eu era nem o que eu queria ser.

Queria ser anônima sem saber o que era para alguém. Queria ser invisível no momento em que signifiquei, em palavras, a história de alguém. Quis ser só mais uma quando me tornei a única que compreendia alguém.

Me escondia em palavras quando deveria orgulhar-me de tê-las como minha propriedade. Me reduzia a nada quando eu definia um dicionário inteiro sem saber. Não desejava nada quando podia almejar o mundo inteiro.

Então eu cresci.