Era para ser segredo, ninguém mais deveria saber. Ninguém poderia se quer imaginar o que se passa por aqui.
Ninguém escuta a música que você está ouvindo, a não ser você. Só você sabe de tudo sobre as imagens, as palavras que se passam aí dentro. Se não quiser, ninguém precisa saber do que você sente.
De sua necessidade de alguém, do texto que se forma na mente, no meio da rua e, de repente, some ao alcançar uma folha de papel. Da fotografia da sua infância, da falta que seu melhor amigo faz, de sua lembrança mais forte.
Da dor que você sente ao vê-la com outro no outro lado da rua, do sentimento de repulsa ao saber que tudo deu errado, do tamanho desânimo que te toma conta ao amanhecer, da tristeza que você sente, mesmo não tendo um motivo concreto.
Das suas idas solitárias ao cinema, das suas caminhadas sem motivo, horário nem destino; da sua paixão por músicas tristes em dias felizes, das suas antigas histórias, da sua mania de sorrir para estranhos, da estranha sensação de invisibilidade ao estar no meio de tantos.
Ninguém precisa saber das suas meia-verdades, do insuportável sentimento de desespero e aflição que te atinge em plena manhã de outono, da insuportável dor que você sente ao saber que sim, arriscar é preciso, que é necessário abrir mão.
Ninguém precisa saber do parágrafo deletado, da frase modificada e das palavras editadas.