27.1.11

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Palavras sujas.

Como amantes, nos afundamos no corpo do outro como caímos num abismo sem chão. Nos perdemos como românticos em um mar de palavras que nem pronunciadas serão.

Como cortesã de luxo, nos embelezamos de olhares que não queremos, guardando nosso próprio olhar para um só. Como céticos, não aceitamos o amor fácil, estúpidos o suficiente para aceitar histórias impossíveis por entre rimas sem métrica alguma.

Como se o corpo fosse um mapa do tesouro a ser descoberto, os apaixonados se perdem numa imensidão nua e sem vergonha. Inocência se engana quando o sorriso meigo aparece após o coração ser machucado no contato de uma mão fria como o clima naquela branca noite de inverno.

Como as chamas da lareira, a respiração se perde com os olhos quentes que derretem atos gélidos, que queima quando atinge o que quer, que contrasta com a nudez crua do sofá da sala de estar.

Como palavras sujas, deixamos pra depois a preocupação com o mundo fora de dois.