10.1.11

tomorrow


Calada, na noite fria de madrugada solitária, ela sonhou. Deixou os cabelos longos fazerem seu próprio destino por entre a brisa sorrateira e longínqua foi a caminhada até o seu lugar preferido no banco mais alto da cidade.
As luzes não marcavam sua presença, o sonho parecia real ao ter, como iluminação, apenas o brilho das estrelas. Flocos brancos no chão eram como espelho, ela viu seu reflexo no vento.
Spektor tocava no rádio da sala antes de sair, corações partidos ficaram pra trás quando ela passou pelo bar. Melancolia era a respiração das ruas, avenidas vazias como veias sem paixão. Pensamento longe, deixou tudo pra depois quando sentou-se, sem pressa, no banco mais alto da cidade.
Alto mar, imaginou o céu claro de um dia de outono. Não lembrou como ali havia chego, lembrou-se que era sonho.
Talvez tinham passado-se horas, nunca soube onde deixara seu relógio de pulso. Lembrou-se do livro que chegaria pela manhã, seus dias se tornariam menos tediosos. E a única parte suportável desses dias eram as noites, a brisa acalmava o que o calor parecia só piorar.
Viu o céu clarear, a vizinhança em seu despertar, no banco mais alto da cidade.