Vazio de inspiração. São olhares indo e vindo, num ritmo monocromático. São palavras desperdiçadas ao som de nada enquanto o silêncio se fizera necessário. São horas jogadas fora quando a conversa fora feita por ausências. São cartas esquecidas quando palavras reconfortantes foram procuradas. São noites sem sonhos quando os mesmos precisavam estar presentes. São releituras quando pedem pelo original, por um original. São paisagens das mais diversas quando tudo que queríamos estar observando era o nosso quadro preferido, pendurado na parede da nossa casa. São tentativas em vão de descrever uma cor para aqueles que só enxergam em preto e branco. São músicas que falam por nós enquanto palavras fizeram falta em nossas bocas. São noites ocupando apenas metade da cama, enquanto que a outra metade permaneceu arrumada e fria. São folhas e folhas caindo no fim do outono, quando o que mais queríamos era a vinda do verão. São palavras pronunciadas em ignorância, quando a paz é mais que necessária. É a procura por algo a se preocupar quando a paz interior é o que procuramos.