3.10.11

te, ti, contigo

Te vi. Simples e rápido assim, quase num piscar de olhos.
Te vi como te vejo todas as noites; você sempre parado no mesmo lugar. As roupas mudam, as pessoas ao seu redor não são as mesmas e sua feição de calma, às vezes, não está presente. Mas, como todas as noites, você está lá. Parado. Estático. No seu próprio mundo.
E nesse seu instante de certa interioridade, privacidade, particularidade,.. você sempre é observado, mesmo que só por um instante. E você nem sabe.  Te invado, sem você saber.
E nessa sua pacificidade, te encontro todos os dias. Te respiro, te olho e sinto teu perfume me cobrindo novamente, te sinto como te senti um dia. Sinto teu toque, teu beijo, teu abraço. Te digo palavras caladas e palavras mal-educadas. Te chamo de amor.
Desejo novamente infinito.
Meu coração se aquieta, meu rosto se torna sereno, a noite se torna calma. Chego em casa sabendo que estou em casa.
Só não te encontro mais aonde eu quero.