Desilusão chegou, culpa bateu a porta e acabo de desligar o telefone; arrependimento me ligou. Roubaram meu silêncio e não sei quem vou chamar de réu.
Em um dia não tão bom, fui capaz de ouvir o que evitava ouvir, fazer justamente o que não deveria ter feito e escolher as palavras erradas em frases que, talvez, poderiam estar corretas. Eu ainda me avisei, o melhor é baixar a cabeça e ficar em silêncio, fingir que nada aconteceu ou o que foi pronunciado não mudaria nada. E lá veio de novo o bendito pedido. A pergunta que não se calou quando deveria, que se exaltou quando o silêncio na sala prevaleceu. Pareceu combinado.
'Não sei' foi tudo o que saiu. Não pensei, não baixei a cabeça, desiludi instantaneamente. Machuquei, feri. Me sinto assassina. Só quero saber do amanhã. Pela primeira vez, fui salva pela minha incerteza.
Na próxima, vou baixar a cabeça e ficar em silêncio.
E seja lá quem tenha sido, por favor, não me roube o meu silêncio.
E seja lá quem tenha sido, por favor, não me roube o meu silêncio.