Numa profundidade íntima, fui deixada ali à deriva, com a cidade em meu olhar. Muros derrubados, paredes enfraquecidas, proteções desaparecendo a cada instante que se passava. O vento bagunçava meu cabelo e meus pés não paravam; teimavam em dançar a valsa inexistente. Pode ter sido o nervosismo de uma invasão tão violenta. Uma exposição tão pública, através de palavras tão cruas.
Uma trilha sonora marcada em compassos certeiros faziam notas e mais notas surgirem à minha frente, a inquietação aumentava a cada frase pronunciada, a cada pergunta feita, a cada raciocínio que se iniciava. Um turbilhão de estratégias se passando como um estado de pânico por dentro de mim. Uma série de lembranças cruzavam minha visão interna, como se uma televisão flutuasse em minha frente, me deixando ali, estática, sem reação, frágil. A invisibilidade poderia ser aplicada facilmente em meu pensamento. Na realidade, not so much.
Quis ir e voltar, sumir e reaparecer, me teletransportar e permanecer. Tudo ao mesmo tempo. Quis invadir, desiludir e, no final, sumir.
Mas não.
Volta, vem cá, vem pra perto.
Vem depressa, vem sem fim.