9.4.12

fico bem aqui (uma crítica ao próprio ego)

Nascemos num país cristão e nem por isso precisamos assim ser, e gostamos de fugir dos padrões. Vivemos de segunda a segunda procurando complicações (''pra que simplificar quando se pode dificultar?''), defeitos, imperfeições e contra argumentos para simplesmente termos nossas dores de cabeça semanais como companhia. Procuramos conforto em outro alguém por ter medo da solidão. Deixamos nossos cabelos com o mesmo corte, vestimos as mesmas marcas de roupa. Criticamos quem não se comporta em padrões. Percebe o quão errado isso tudo é? O criticismo está em toda a parte, especialmente quando se trata de nós mesmos.
Não é difícil encontrarmos mesmo em nosso círculo de amizades alguém que se desvaloriza. Já olhou pra si mesmo? Não é difícil parar pra pensar no que poderíamos ser melhores, fazer corretamente ou mudarmos um pouco a aparência. Sempre seremos críticos.
Com uma auto estima baixa, estamos propensos àqueles abalos (que pareciam coisas tão simples - e, de fato, eram coisas simples, básicas e pequenas) que acabam se tornando uma tempestade sentimental. Com uma incerteza sobre si mesmo, arruinamos nossos dias, transformando-os em pesadelos sem fim, em noites sem acalento, em caminhos sem refúgios.
Defeitos são fáceis de serem localizados, criticados, exacerbados e demonstrados. Mas qualidades os superam. Lembra da frase ''é melhor ser alegre que ser triste, a alegria é a melhor coisa que existe''? É verdade. Contudo, não é fácil. Não é fácil reafirmar para esse ego interior que  tudo vai ficar bem, mesmo que esteja chovendo. Que tudo vai dar certo, quando nada no seu dia parece estar bem. Que, no final, tudo há de se ajeitar e o sucesso é logo ali, quando o final parece estar tão distante. Mas, acima disso tudo, nosso melhor amigo somos nós mesmos. Ninguém te conhece melhor que você, ninguém sabe melhor o que te faz realmente bem a não ser você, ninguém sabe te deixar bem melhor do que você. Ninguém pode ter amor próprio por você.
A terapia aqui é clichê, os argumentos possuem uma exacerbação exagerada e um tanto quanto pleonástica. As palavras podem parecer e soarem bobas e sem efeito, porém contêm a verdadeira mensagem que devemos ter como nosso próprio mantra. Você tem que confiar em você mesmo mais que qualquer outro alguém. Você tem que se manter feliz, acima de qualquer outro alguém. Você tem que se fazer bem, não deixando outros com esse privilégio. Na sua vida, a pessoa mais importante é você. Na sua história, a protagonista é você. Não deixe nada nem ninguém tirar esse brilho, essa virtude que você tem. Você é capaz de tudo se quiser. É só querer.
Vou inventar avós, pais e animais de estimação que nunca morrerão. Inventarei uma cidade dos sonhos, com todos morando na mesma rua e o equilíbrio ideal entre lazer e trabalho. Ainda hei de inventar alguém justo, algum lugar justo e sem distâncias. Onde respeito exista e a sociedade funcione. Inventarei algo pra satisfazer a saudade, erradicar o mal e tratar todas as baixas auto estimas que existem. E além disso tudo, inventarei um eu-lírico que goste de mim.
Contanto, apagarei tudo logo depois, sabendo que sou a heroína da minha própria história. Serei feliz quando, aonde e com quem quiser e, tendo em mente que, quem afirmou que é impossível ser feliz sozinho, foi infeliz em sua decisão.

 

para mais amor próprio, substantivo impessoal:
http://afonsinhoteixeira.blogspot.com.br/2012/04/e-preciso-ir-bastante-alto-para-ver.html