Espionagem, tortura, propaganda, política e censura: a repressão já foi forte por essas terras brasiliensis. A imposição ideológica era controlada, a manipulação de todas as manchetes era uma importante arma política e uma imagem idealizada do país surgiu. Mas como era tudo, de verdade?
Como seríamos hoje, ao termos de nos calar em frente à tanta indignação, à tanta manipulação? Qual voz seria ouvida, qual ato seria reprimido, qual legislação seria respeitada? Haveriam novos caras pintadas? Existiria talvez, novos Caetanos, Gilbertos, Miltons, Toquinhos e Seixas? Ergueria a voz uma nova geração de Chico, dizendo para afastar "esse cálice de vinho tinto e sangue"? Gritaríamos cale-se? Respeitaríamos o sucessor do AI-5?
E se tivéssemos vivenciado tal época? E se fôssemos nós, aqueles que esperaram, dia após dia, a liberdade de expressão? Ouvir o que os outros tinham a dizer?
Hoje, seriam silenciadas as vozes que falam por tantos? Seria aceita uma nova política de pão e circo para esquecermos de tudo que não aceitamos? Seríamos calados por torturas, desaparecimentos, inexplicações e silêncios? Estaríamos nós sossegados pelo eterno carpe diem, reclamando da vida e contando piadas entre dois tragos? Seríamos nós a geração revolucionária, que clamaria por justiça, que lutaria por liberdade, que cantaria através de jogos linguísticos? Haveriam hoje românticos que protegeriam sua nação? Voltariam a existir heróis? Permaneceriam na eternidade o nome dos que morreriam por amor, que falariam das flores? Haveriam aqueles que afirmariam, com todas as letras, que toda censura é nociva? Que é justa?
Reunir-se-iam esses jovens que perdem dias procrastinando a vida por simplesmente não concordar com os seus problemas? Levantar-se-iam para proteger o que é seu, o que deveria ser falado, mas não é direito de ninguém falar?
Quem sabe, teríamos jovens autores que expusessem, de verdade, como nosso país é, através de personagens baseados em acontecimentos reais. Quem sabe, teríamos lendas urbanas de opressores mal sucedidos. Quem sabe, a liberdade continuaria e avançaria, não mudando nada em nossa visão de mundo, deixando nada de extraordinário produzido nesse nosso (efêmero) período de vida a que temos direito. E quem sabe, nossa literatura seria uma odisseia. Quem sabe, faz a hora; não espera acontecer.
não espera acontecer
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