Assim, de longe, te vi. Pensei ‘e se’, quis apresentar-me, quis viver uma vida inteira contigo. A Lua brilhava forte no céu, ainda que uma fina chuva pairasse sobre o chão de pedra. Você estava bonito, com os olhos brilhando mais que as estrelas que estavam sob nossas cabeças. Foi quando eu senti o que dizem por aí: quando você conhece o amor da sua vida, todo o resto do mundo fica em câmera lenta (mal sabia eu que, após esse instante quase infinito de câmera lente, o tempo passaria muito mais rápido que esperei). Então você virou, e o teu olhar encontrou-se com o meu. Perder o chão é eufemismo. Senti um arrepio que passou pelo corpo inteiro e, então, o mundo parou: você se tornara, ali, naquele instante, meu centro de gravidade.
Assim, a sós, começou. A cidade estava calma e silenciosa, e as pessoas que caminhavam na rua pareciam formigas no meio do universo. O dia havia sido difícil e tudo ainda parecia preso no meio da garganta. Os pensamentos ainda estavam bagunçados e os sentidos, aguçados. Quis te ter mais perto. A Lua brilhava forte e teus lábios eram suaves e então perdi a noção de tempo e espaço. Tive você em meus braços e não quis mais largar.
Assim, na minha frente, arrisquei. A cidade parecia estar aos nossos pés e a Lua era tímida no céu, ainda que aparecesse vez ou outra para dar-nos o ar de sua graça. Respirei fundo e, mesmo tendo ensaiado incontáveis vezes, pareci pegar o instrumento pela primeira vez na vida. As palavras saíram naturalmente, ainda que um pouco inseguras e tremidas. A música parecia fazer sentido e arrisquei tirar os olhos da minha mão para encontrar um olhar encantado que me fez perder o pensamento – errei. Mas continuei, e encantei. Dediquei a ti algum par de palavras, mas você nem percebeu. As bochechas queimavam e meu coração palpitava como nunca. Roubei-te um sorriso no último compasso e fiquei satisfeita ao te deixar sem resposta. Sorri também.
Assim, de perto, conquistou-me. Era na noite da Blue Moon¹, e por entre Heinekens e músicas boas na rádio, meu coração parou, perdeu-se, e reencontrou-se em você. Uma vida apenas já não mais bastava: ambicionei a eternidade contigo. Tendo a luz da Lua refletida na pele do teu rosto, desejei ser fluente na sua linguagem corporal e conhecer cada poro da tua pele. Você sorriu e eu sorri e eu não soube mais o que fazer. E você nem sabia de nada. Meu corpo inteiro sofria com arrepios e espasmos e eu tremia como uma criança com medo. Mas de felicidade. Você sorriu novamente e eu percebi que era por minha causa, um suspiro consumiu-me.
Assim, decorando minhas nuances, te quis. A Lua brilhava forte lá fora enquanto estávamos no universo de nós dois – esse universo paralelo onde a grama parece mais verde, as pessoas cumprimentam-se em francês e uma doce melodia toca a cada passo que damos. Teu calor era próximo, tuas mãos frias faziam desenhos em minha pele e, novamente, senti que não tinha forças pra viver sem você. Tentei decorar os poros da tua pele e depois desisti, pensando que queria melhor sempre esquecê-los novamente pra ter uma desculpa pra jamais te soltar novamente. O quarto estava frio e a música que inundava o quarto era confortável, assim como o teu abraço. Entendi que era ao teu lado que eu sempre pertenci.
-------
Decorar teu nome, fazer de ti minha pele. Sentir tua impressão digital tatuada em meu coração e sentir teu perfume pela casa.
"It’s you, it’s all for you – everything I do.
I’ll tell you all the time: heaven is a place on Earth with you."
¹ - http://en.wikipedia.org/wiki/Blue_moon
Hey Moon, please forget to fall down
http://afonsinhoteixeira.blogspot.com.br/