Ainda que tenha jeito com as palavras, vez ou outra gosto de ficar em silêncio.
Prefiro fechar os olhos, mesmo que um sorriso ainda estampe minha face, sentir o aconchego que o céu me permite.
Gostaria de ter um céu só para mim. Exatamente esse — aqui, de agora. Quando a Lua se mantém logo ali, tão próximo que quase tocamos, solitária. Solitária, mas forte. Provando que, quando se tem luz, se ilumina o horizonte inteiro com um só brilho.
Chegou essa fase de soltar o grito que por vezes fora silenciado, de por a mão na massa e fazer tudo virar real, de querer o mundo todo e você também. A fase de não aceitar não como resposta, de bater o pé, firme, e falar que é capaz. Eu sou bonita. Inclusive no escuro.
E talvez seja assim mesmo — que tudo somente faça sentido quando sentimos, na pele, a água gélida que agora se alastra pelo oceano. Quando sentimos, com os pés no mar, como somos somente um grão de areia frente àquele oceano além-mar.
Como a imensidão é bonita daqui.
Como essa imensidão daqui é bonita.
Como a bonita é imensidão.