Eu entendo as bailarinas. Somos hipnotizadas pela beleza — aquela, com um toque de tristeza. Duas imagens complementares quando se está en pointe. Quando a leveza e as lágrimas se misturam num sorriso torto estampado no rosto quase irreconhecível pela plateia.
Elas são hipnotizadas por aquela felicidade imperfeita — que esconde as cicatrizes de capítulos anteriores por baixo de meias finas e tecidos reluzentes. Felicidade que é exausta devido a incontáveis vezes de repetição, de dor, de cansaço, de (quase) desistência. Mas, no final, o desafio é transmitir a alegria de estar ali, em frente a todos, despertando puro encantamento.
—