8.9.20

You keep yours; and I keep mine

 Querido você,


Hoje me deu tanta vontade de te escrever. Acho que o gatilho foi uma música, assim como tantas outras. Como você está? Não tenho mais notícias tuas há tanto tempo, e te perdi de vista há mais tempo ainda. Nem lembro mais do teu rosto. Ou do teu cheiro. 

Sabe, hoje em dia eu entendo o que aconteceu. E o porquê aconteceu. Sendo bem direta: eu não era suficiente. Jamais havia sido. Eu, até então, nem sabia o que era suficiente. Como você vai querer algo que você desconhece, não é mesmo? 

Pois então. 

Hoje, eu escrevo para te contar as boas novas: agora eu sei. Agora eu entendo. Eu não conhecia o que era ser suficiente para, antes de outras pessoas, eu mesma. Amar-me antes de te amar também. Ser inteira, completa; para só então desejar outro alguém. To be enough

E tudo bem, sabe. Não era nem foi culpa de ninguém. Não peço desculpas porque não houve culpa no jogo. Houve uma porrada de autoconhecimento assim que decidi caminhar só. E foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida. 

Esses dias eu ouvi alguém dizer, 'O que eu preciso fazer para encontrar o caminho de volta para mim mesma?'. Profundo, né? E me deu vontade de responder, 'só parte'. Por mais que doa, que na hora não faça sentido, por mais que a hesitação chegue, e você se questione muitas vezes, vá. Diga que só vai voltar quando se encontrar. 

E essa pode ser uma estrada que passa na quadra de trás de casa, pode ser que tenha um atalho, ou pode dar uma volta no mundo. E é isso que é bonito, no fim das contas, não é mesmo? 

Boa viagem.