19.7.09

Como você escreve?


Certa vez me perguntaram como eu consigo, do nada, ter aquela vontade louca, insaciável de escrever. Eu respondi, é fácil.

Quer dizer, inicialmente é inexplicável, a frase simplesmente aparece na sua cabeça e você precisa escrevê-la em algum lugar (muitas vezes é o braço, a mão ou o pedaço de papel roubado de alguém, se acostume). Depois, resgato uma memória de minha vida. Não importando se essa é boa, ruim, nova, antiga, com meu ex ou o atual. É uma memória. As vezes, também, a partir de uma música.
Enfim, a partir dessa frase, dessa memória ou dessa música, o texto vai tomando forma, na minha cabeça. Todas as palavras, aquelas sílabas magicamente unidas que um dia já aprendi vêm à tona em minha cabeça. Frase seguida de frase.
Ou, como alternativa, eu sento a frente do meu computador e escrevo. Deixo minhas mãos trabalharem, em um lado oposto da razão. É o instinto, sei lá.
Ouço a música que tá tocando em tal momento, e é essa que comanda o meu ritmo.
Meus dedos simplesmente percorrem as teclas, deixando tudo gramaticalmente correto, porém não penso muito no que escrevo.
São esses os melhores textos. A união de uma memória, uma música e a ausência de razão são os reagentes de uma equação que resultará num texto único. Que você jamais escreveu igual, e jamais vai escrever. Porque nenhum momento vai ser igual ao outro, em que você tenha vivido os mesmos acontecimentos com a mesma intensidade, ouvido a música com o mesmo sentido, lembrado de um fato com o mesmo ponto de vista que você já lembrou um dia.
Os meus textos, os melhores pelo menos, sempre estão ligados a uma memória forte minha, que realmente me marcou, ligada à uma música 'agitada', normalmente foo fighters, the kooks ou, como agora, all time low. E é fato, todos ou, pelo menos a maioria dis meus melhores textos são de, alguma forma, um romance.
Podem ser sobre um amigo, um ex-amigo, um ex propriamente dito, ou um cara que saiu da minha imaginação. Ou dos meus sonhos.
Mas, todos os meus textos, sem exceção, possuem um ponto em comum, um ponto de origem quase. Que é como eu me sinto quando escrevo.
Eu me conecto, inconscientemente, à minha escrita, ao meu texto. Literalmente, eu vivo o meu texto. Todos eles.
Enquanto eu escrevo, lembro de várias memórias, escrevo sobre elas, choro enquanto narro mais um texto, sorrio comigo mesma, e assim vai. Eu vivo o meu texto.
E é assim que são os melhores, a união dos elementos principais (de preferência, todos eles, de uma vez só) e uma conexão inconsciente com o seu texto.
Essa é a minha fórmula. Se é boa, não sei. Eu sei que, comigo, funciona.