
Coração estúpido, esse de um ser vivo apaixonado. Principalmente ser humano.
Ele conta as horas, os minutos daquela hora, cada segundo daqueles minutos que, para ele, são intermináveis. Tudo é motivo para sorrisos, risos, risadinhas. Todos os dias são ensolarados, com arco-íris no céu, mesmo quando está uma tempestade, daquelas das piores. Os pássaros sempre cantam, aonde quer que ele passe.
O universo está ao seu favor, está tudo em uma completa perfeição. É até estranho.
De repente, o dia ensolarado (na vista dos pobres mortais) vira uma tempestade, o ser humano antes apaixonado anda com um guarda-chuva protegendo-se da invisível chuva de lágrimas. Os braços envolvidos nos abraços somem, os sorrisos não existem, as risadinhas já não se fazem mais presentes. Os pássaros somem, voam ao seu próximo destino. A cidade vira cinzenta, as piores coisas acontecem com ele. "É a treva. Só pode", ele pensa, sabendo que, quando retornar para casa, não terá mais companhia sob o mesmo teto. Muito menos sob a mesma cama. O universo vira um vazio cinzento, sombrio. As pessoas parecem mais distantes, mas ele também não se abre com os outros. O tempo não anda, não passa logo. Ele ignora os rostos nas ruas, os olhares nas festas, os abraços nas reuniões em família, os cumprimentos formais na reunião do trabalho. O universo se tornou um vazio, para ele.
O celular, que estava em seu bolso, toca.
O coração dispara, a respiração vacila.
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Como eu disse antes, eu tava precisando escrever.
Mas sem a interrupção dos fatos do meu presente.