10.8.09

Days grew longer


Coração estúpido, esse de um ser vivo apaixonado. Principalmente ser humano.

Ele conta as horas, os minutos daquela hora, cada segundo daqueles minutos que, para ele, são intermináveis. Tudo é motivo para sorrisos, risos, risadinhas. Todos os dias são ensolarados, com arco-íris no céu, mesmo quando está uma tempestade, daquelas das piores. Os pássaros sempre cantam, aonde quer que ele passe.
O universo está ao seu favor, está tudo em uma completa perfeição. É até estranho.
De repente, o dia ensolarado (na vista dos pobres mortais) vira uma tempestade, o ser humano antes apaixonado anda com um guarda-chuva protegendo-se da invisível chuva de lágrimas. Os braços envolvidos nos abraços somem, os sorrisos não existem, as risadinhas já não se fazem mais presentes. Os pássaros somem, voam ao seu próximo destino. A cidade vira cinzenta, as piores coisas acontecem com ele. "É a treva. Só pode", ele pensa, sabendo que, quando retornar para casa, não terá mais companhia sob o mesmo teto. Muito menos sob a mesma cama. O universo vira um vazio cinzento, sombrio. As pessoas parecem mais distantes, mas ele também não se abre com os outros. O tempo não anda, não passa logo. Ele ignora os rostos nas ruas, os olhares nas festas, os abraços nas reuniões em família, os cumprimentos formais na reunião do trabalho. O universo se tornou um vazio, para ele.
O celular, que estava em seu bolso, toca.
O coração dispara, a respiração vacila.

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Como eu disse antes, eu tava precisando escrever.
Mas sem a interrupção dos fatos do meu presente.