10.8.09

Separações


"Aterrorizada, senti que tinha apenas a ele. E quando seu ciúme estabeleu limites para minha liberdade, entrei em seu território, a fim de criar os limites para ele.

Queríamos deixar de ter segredos um para o outro. Ansiávamos pela coragem de nos rendermos.
Nossas necessidades eram impossíveis de satisfazer. Aquilo se tornou nosso inferno. Nosso drama.
Nada existia fora de nós. Nem alegria nem dor que não fosse infligida pelo outro.
Aos poucos, isso se tornou a razão da nossa ruptura.
Éramos tão parecidos. O que ele não sabia a respeito de si mesmo, começou a ver em mim - como nm espelho-, apesar do fato de eu ser uma mulher e muito mais jovem, e talvez diferente dele de algumas maneiras que ele não sabia. Ele via em mim sua própria vulnerabilidade e raiva. E, como num espelho, eu estava lá, o tempo todo, um lembrete.
Eu queria ser sua e se ele quisesse que eu mudasse, eu faria qualquer coisa. Talvez seja possível duas pessoas mudarem juntas - desenvolverem-se juntas. Contudo, se o espelho é nítido demais, não só nos veremos como somos, mas também seremos forçados a deixar que a outra pessoa represente sempre um lembrete do que não se deseja mais ver."

Mutações, Liv Ullmann.