"Mas vou te confessar: às primeiras horas da manhã, eu escondia-me atrás dos óculos escuros e ia dormindo, enquanto ouvia a tua voz, embalada pela tua voz. O sol ainda não afastara por completo o frio irracional das madrugadas e eu me sentia tão bem assim, protegida pelo som da tua voz, pelo teu relato de florestas distantes e estranhos nomes de peixes e bichos que ali pareciam tão irreais como irreal me parecia toda essa felicidade que não sei te dizer! E que só percebi quando a perdi."
No Teu Deserto, Miguel Sousa Tavares.