"Quando menos espero, a saudade vem.”
E é assim que eu resumo como tudo apareceu dentro de mim.
Era final de outono, sabe.. O clima já ficava mais ameno, as ruas mais vazias, as pessoas mais quentes sob seus cobertores, os olhares mais cansados conforme avançavam os capítulos nos livros pela madrugada e os perfumes mais doces tomavam conta do ar.
Os casacos pesados já apareciam nas vitrines e saíam do fundo das prateleiras nos armários pela cidade afora. As árvores do parque já perdiam suas últimas folhas e a brisa gelada de inverno pegava de surpresa os despreparados na rua.
Eu me identificava com esse último grupo, em especial, naquele dia. Mas não despreparada para aquela brisa, e sim para aquela figura que apareceu, do nada, na minha frente.
Foi ali, naquela rua, embaixo daquela velha figueira, que eu fiquei sem graça ao ter que encontrar seus olhos tão felizes me olhando e pedindo desculpas por não ter me visto.
Sabe, você não precisava ter pedido desculpa.
Não que eu não queira aceitar suas desculpas, mas você, com aquele seu mesmo olhar distraído e feliz, aparece nos mais belos sonhos do fim da estação, tornando coisas tão simples, e meramente banais nas mais belas poesias.
Aquela brisa suave e fria agora arrasta meus pensamentos para longe do mundo, me faz sorrir como quem sai do cotidiano, como quem
(inacabado, e ainda não tenho como agradecer o dia de hoje.)