12.4.10

yours, you’re..

3837350304_3421939e37_large

Nesses dias, tudo ao nosso redor se torna literário.

A descrição de um vaso azul, a respiração doente do paciente ao sue lado no consultório, a fome sem explicação que atinge metade da população mundial, a troca de olhares que todos percebem, a seriedade no olhar de uma criança e os olhos sonhadores de um adulto.

A folha de papel em branco na minha frente, a paisagem momentaneamente estática. O ritmo da música que surge em sua mente ao atravessar a rua. A falta de sorte, a voz irritante de seu melhor amigo ao seu lado. A falta, a sobra, a falta de assunto em um almoço de negócios, a discussão do casal no ponto de ônibus.

A fila do banco, os comentários desnecessários, as risadas perceptíveis sobre você, ele, ou sobre ninguém. A conversa em momentos errados, as notas tocadas no violão, a sua voz desafinada, a dependência mútua, o jantar cancelado, a impaciência.

E ainda existem aqueles que tentam escrever sobre o indescritível e, quando vão ler o resultado final, amassam a folha e a jogam, junto com tantas outras, no lado do esquecimento.

Um esquecimento literário. Literalmente.