(ler ouvindo http://bit.ly/bCg4MF)
Sem relógios. Sem desejos querendo ter posse do tempo, até controlar o tempo. Uma música descompassada, um coração acelerado e um ponteiro desritmado.
Histórias sem passado. Quem sabe, uma pausa em sua história. Uma respiração profunda, um suspiro antes de se levar o pensamento até onde não se pode mais ir.
Levar toda a sequência na companhia das notas relatadas na partitura que decora as paredes de seu quarto. Notas calmas, o seu ontem, hoje e amanhã com ela, ou então a história que você tem com ele.
Notas graves, compasso acelerado; a mão escrevendo acelerado sem se quer sentir a dor do coração amargurado entre as memórias que o ontem deixou de lembrança. Palavras angustiadas, a dor da perda, a ilusão do pensamento de perda que você já afastou por mais de uma vez.
O silêncio que foi quebrado no mesmo instante que a música aflita ao fundo volta a tocar. O silêncio quebrado por causa da necessidade, não pela vontade. As palavras que lhe deixaram sem reação são as mesmas que apareceram logo de manhã na sua porta da frente.
Silêncio quebrado pelo silêncio de uma antiga fotografia. Uma doce música. Um poema calado. Um postal em branco. Uma passagem de ida. Um relato de angústia. Um passado perturbado, um futuro em segredo.
Silêncio quebrado por uma pergunta sem resposta. Uma dedicatória sem destinatário. Uma antiga carta sem endereço. Uma meia-verdade mantida em segredo. Uma história sem fim. Uma palavra pensada e não falada.
Uma frase sentida e não pronunciada.