Ao raiar do dia, seu principal desejo é o melhor. Sua preguiça ainda lembra infância e o jeito com que coloca os calçados lembra gente pequena.
Sai cantando da cama, sonhou com a graciosa melodia, que vai permanecer em sua mente o dia inteiro. Veste com certa pressa matinal a melhor combinação que aparece em sua mente, decide tomar café no caminho, amanhecer com novos rostos ao redor..
Últimos detalhes pra acertar em casa, verifica se pegou tudo e sai como se o tempo não colaborasse. Um passo na frente do outro, e sem perceber coloca as mãos nos bolsos, está frio hoje.
Cumprimenta os rostos já conhecidos do caminho de todos os dias, hoje está especialmente feliz. Rabisca alguns versos na mente, e quando se vê fazendo alguns passos repetidos, lembra-se da antiga rotina, era um tanto quanto normal. Prefere agora.
O dia segue e as horas passam diante de seus olhos repletos de encantamento, sem razão. Com razão. E com razão, cumpre as obrigações e consegue sair mais cedo, a tempo de chegar na mesa preferida do café pra acompanhar o pôr do sol de todos os dias.
Hoje o escurecer pareceu mais calmo, sereno.. Como se ninguém estivesse com pressa de acabar o seu dia, inclusive como se o Sol não quisesse se despedir.
As estrelas trazem o frio vento de agosto, as folhas varrem o chão enquanto seus pés tomam novamente o rumo de casa, junto com os versos preferidos da graciosa melodia que foi sua companhia o tempo inteiro, por falta dela ao seu lado. Parece que tanto tempo passou. Tanto bom tempo.
Nas nuances do dia, estavam seus sorrisos.
(Os versos que rabiscou mentalmente já de manhã, foram caligrafados no guardanapo do café favorito, ao anoitecer, com direito a dedicatória)