Vem de dentro e, dessa vez, do particular.
O desconforto é enorme, a noite passada em claro, as horas que não passam, o desconhecido ao seu lado, a sua frente, em toda a parte. A primeira lição já é absorvida nos dez primeiros minutos dentro de um avião, e percebe-se que você vai errar muitas vezes.
As horas se arrastam, o céu não clareia e você não sossega. Se eu já corria o risco de ter insônia, me colocar dentro de um avião foi me colocar sentada ao lado da insônia. No final, havia assistido a mais de 7 filmes, ouvido mais de 50 músicas, dormido apenas uma hora, fingindo entender tudo o que falavam a sua volta e com saudade de casa.
Aí o desespero aparece de novo quando a mala não vem. Cadê, cadê, cadê. ALI! Ok, hora de encontrar a saída. Fácil demais, atendentes da fiscalização muito além que queridas e educadas, a família esperava do outro lado de uma porta de vidro.
O sorriso era óbvio; a expectativa, maior ainda. Do grande peso das malas, surgiu a leveza de um abraço. Dois, três, quatro. As primeiras palavras; o típico ‘Ich spreche nur ein bisschen Deutsch’ já havia sido pronunciado.
O encanto de um taxi da mercedes (um não, todos), o tapete liso que é a autobahn, as cenas de cinema que passam do lado de fora do carro, o encantador rio Reno (Rein auf Deutsch).
Depois de algumas horas junto, você sorri, é tudo novo. Do jeito que eu sempre quis. Recomeçar do nada, sem conhecer ninguém, em um lugar onde só vim com uma passagem de ida. E duas malas+mochila.
Em casa, assim que me senti desde o início. O café é um pouquinho mais amargo, e o açúcar é aquele em cubinhos (MUITO legal). A primeira refeição logo depois, receita holandesa, refolgado de carne e salada. Aliás, saboroso demais!
No fim do dia (23:11 pm, exatamente), ganhei uma família, um novo quarto, muitos gummy bears, um novo começo, mais um desafio.
Já no primeiro dia, sorri, chorei e senti falta. Mas já tenho mais de 50 palavras novas no meu vocabulário.