Gente inquieta, coração batendo acelerado. O tempo passa, pessoas passam e a estação da cidade grande não termina. Já é noite e as pálpebras pesam. Os pés doloridos descansam da correria do último dia de atividades da semana e a mente se alegra ao pensar no dia de descanso que vem pela frente.
Os rostos marcados pelo esforço físico e mental passam e repassam pelo corredor ao seu lado, rostos que têm o que contar a quem jamais irá os conhecer. É a primeira e última vez que você irá vê-los e, mesmo assim, tenta decorar tais feições que jamais verá novamente.
A escuridão é interferida pelos postes raros na estrada e pelas sinaleiras das cidades que passam silenciosamente na paisagem enquanto os desconhecidos te cercam carregando flores.
É longe de casa e você não sente mais o cheiro familiar do seu armário de roupas que você deixou pra trás que suas roupas trouxeram quando aqui chegaram. Você mal se recorda de tal aroma, o novo te dominou por completo. O único familiar aqui é seu próprio interior.
Suas memórias, suas melodias cuidadosamente lembradas para cada instante.. você já compreende esse idioma que nenhum vizinho seu irá entender quando a data de retorno chegar.
A música que te acompanha te faz sorrir de um jeito diferente que as piadas que você ouviu durante o dia fizeram.
Você recebe alguns olhares curiosos esporadicamente disfarçados por estar escrevendo a tanto tempo e de forma tão apaixonada. E eles jamais entenderão a gramática que aqui utilizo para decifrar quem serei pela manhã.
De repente você se recorda da discussão que você teve com um amigo seu; e esquece da conclusão que chegaram ao tentar diferenciar saudade e falta.
Você repete em silêncio os versos que acabam de invadir sua consciência, versos que você conhece tão bem.. e aí sente falta da escrita, do poder de ter o que quiser nas mãos que carregam egoistamente o pedaço de papel e a caneta.
E você percebe que hoje em dia, você já escreve em um idioma, ouve música em outro e compreende o problema no namoro que a garota na sua frente possui, mesmo sendo em mais um outro idioma.
E, do mesmo jeito, nada consegue substituir a falta que um abraço faz.