Palpitante, buscou, em ruas vazias, companhia.
Relembrou dos tempos de jovem, o quanto era bom sair sem hora.
Perdeu tempo deitado olhando para o teto, tempo que não volta.
Cantou versos que ouviu na rua, jamais soube o nome do autor.
Ouviu música clássica de olhos fechados, entre multidões.
Chegou sozinho na festa, nunca soube quem era o aniversariante.
No verso de papéis já usados, escreveu versos de amor.
Entregou rosas a desconhecidas.
Disse bom-dia para o carteiro porque estava um dia bonito.
Enviou cartas sem remetente.
Esqueceu do aniversário dos amigos mais de uma vez.
Mentiu ao dizer que lembrara do aniversário de um amigo.
Caminhou pela beira da praia sem pensar em nada.
Escutou a mesma música durante uma semana inteira.
Contou histórias inventadas a crianças encantadas.
Falou mal de pessoas inventadas a desconhecidos na praça.
Sonhou com lugares que nunca conheceu.
Sorriu para estranhos na rua.
Encantou-se com o sorriso de uma criança.