11.10.10

venlo


É início da noite e ouço a música em volume baixo para não acordar meu coração que descansa no sofá. Escuto sua canção favorita e a casa respira pacificamente; os batimentos aqui dentro são calmos e eu consigo descansar facilmente sabendo que é real.
Hoje de tarde te pedi três vezes para me contar (mais) uma história sua e agora eu te escrevo essa. Sua expressão nesse instante é de paz; você é encantador mesmo sem saber.
Em sua plenitude, vejo a tempestade no horizonte quando vou distraída até a janela, enquanto o relógio me encara com uma expressão de tédio estampando seus ponteiros.
Você dormiu tão rapidamente dessa vez; eu te cansei com a caminhada no final da tarde. Ainda é início da madrugada e as pálpebras já começam a pesar.
Assistir você dormindo é o melhor sonho que eu poderia ter e as vezes tenho medo de trocar isso (mesmo que cansada e precisando dormir) por pesadelos que me acordam novamente ainda antes do amanhecer.
Me distraio facilmente e o tempo me engana quando se passou mais de uma hora sem querer. Tudo é relativo e um ano já se foi rapidamente.
Caso a tempestade vier pra cá ainda essa noite (é improvável, mas..), você provavelmente vai me acordar com seus olhos de menino enfeitiçado, me chamando para ver com você os raios riscando o céu que, especialmente nessa noite, está com suas constelações mais presentes que o normal.
As palavras me distraíram de forma facilitada por muito mais que uma hora e eu já não chego a lugar algum ao tentar concluir minhas frases.
E já chego a imaginar meu sorriso pela manhã ao ser acordada pelo melhor bom dia que há por aí, enquanto encaro agora, com sonolência, o relógio me dizer quantas horas ainda faltam para o amanhecer.