16.10.10

pelo chão

Pensamento além do horizonte, corpo que não chegaria nem na metade do caminho onde quero ir. Descanso nas areias de uma praia desconhecida, não mais aquela que a infância foi escrita no meio de tantas marés baixas.

Como cena de filme, a faixa de areia é larga e o vento é constante. Roupas pesadas tomam o lugar do guarda-sol, enquanto sapatos fechados tiram a inocência dos pés pequenos descalços.
É um caminho longo até em casa e o tempo ainda não é meu melhor amigo. É mais rápido que esperei; confesso. Me perco nas linhas do livro que me acompanha durante essa semana; mais um dia e chego no final do mesmo. Não antes de eu chegar ao final da praia.
Mais uma canção termina, a mesma seleção de músicas que ouvi durante a viagem até aqui. A voz com razão do intérprete e as palavras sábias do compositor falam por mim por enquanto.
Num lapso de inspiração, me pego escrevendo no verso de um cupom fiscal estrangeiro, entre tantos desconhecidos que caminham no sentido contrário que vou, em um lugar que nunca estive antes. E mesmo assim, aqui é onde deixo, sem prazo de validade, algumas palavras que me pegaram de surpresa no sol de outono, enquanto encarei um veleiro de filme desaparecer até a Dinamarca; o destino que está no horizonte daqui.