Versos que levam minhas palavras consigo, fico desarmada quando recebo perguntas direto em meu peito, deixando uma dor latente que não incomoda mais. Me conformo que assim será enquanto a orquestra não parar de tocar e o maestro se aposentar.
Sejam inocentes demais, ácidas demais, irônicas de menos. Ardem ao passar de raspão pelo braço que se ocupa com a tarefa de exercitar a caligrafia que adquiri com o passar dos anos. Ameaçam quando parecem que serão lançadas, mas são mantidas em silêncio até o momento de desatenção da coerência. Deixam cicatrizes profundas, aparentes e incuráveis ao atingir o alvo que querem, ganhando prêmios de lágrimas salgadas quando bem direcionadas. Feridas em aberto quando se encontram com a pele suave e aveludada. Machucados recentes em memórias antigas e pedidos de desculpas no passado recente.
O desejo de querer voltar no tempo, comportamento bobo. A vontade de retirar todas as perguntas que acabaram ferindo; as respostas de quem se deixou ferir; o silêncio dos que sofreram calados.
Fazer, reformular, lançar e torcer pra acertar o alvo. Rotina mais que conhecida, fiquei desarmada quando mais precisei de palavras em minha boca, sabendo que feriria, sabendo da resposta, sabendo que passaria de raspão, mas não curaria o que o tempo já deixou como lembrança.