Ouvindo o uníssono, me declaro em silêncio com palavras sem intensidades diferentes. Fechei os olhos e agora entrego tais palavras sem reler nem pensar sobre. Abro mão, abro coração e alma em uma folha de papel já amassada. Vocês queriam resposta.
E eu aqui a escrevo. Escrevo com a velocidade do vento que atravessava as janelas da sala, escrevo sem ouvir nada nem ninguém ao meu redor, escrevo como se eu fosse a única em meu próprio universo. Escrevo sem pensar em títulos, escrevo esquecendo a concordância, a gramática e o correto. Escrevo com rancor, fervor e vergonha. Escrevo com lágrimas escondidas e envergonhadas, sorrisos abertos e sem explicações. Escrevo como quem analisa uma fotografia com lembranças fortes e escrevo como quem tem o coração magoado por muito tempo. Escrevo eufemismos, escrevo metáforas, escrevo sem nem escrever. Escrevo sem querer, escrevo porque quero. Porque sinto.
Numa caligrafia que varia entre trêmula, caprichada, preguiçosa e decidida, escrevo como se ouvisse-me ditando palavra por palavra. Escuto as palavras, após serem escritas, cantadas. Escrevo sem saber a razão, escrevo sem vocabulário rico por estar cansada. Escrevo de cansaço.
O texto ecoa em minha mente e me esforço para esquecê-lo. Prefiro não lembrar amanhã de manhã. Prefiro não saber de sua existência. Prefiro assinar com o nome de outro alguém.
Continuo escrevendo sem saber porquê, sem saber como tenho vontade de continuar. O dia pode passar por inteiro, a madrugada pode querer se esconder de mim e, mesmo assim, continuo aqui, ainda com sede de palavras. Não aguento mais lutar contra elas e não tenho voz para implorar uma pausa.
Meu pensamento é inimigo de minha caligrafia, mas minha alma agradece de joelhos por poder aparecer, novamente, em linhas pautadas. A paisagem em movimento do lado de fora não me atrai e minha cabeça continua baixa, mesmo com companhia.
E ainda escrevo lutando contra eu mesma, um eu lírico teimoso e egoísta. Uma alma humanitária demais e uma mente ainda ingênua. Filosofias de mulher feita.
São faces e mais faces de alguém que não é cubo, mas infinito.