Eu não sei. Me deu essa vontade assim, repentina, sem razão, de falar. De falar sem parar, sem pausas, sem vírgulas, sem apostos, sem cansar.
Falar e ser ouvida, falar para que escutem. Falar como o instrumento que agora fala por mim nessa dança infinita. Ah piano, se você soubesse o quão bem você me entende. Ele possui as pausas corretas mesmo em compassos infinitos, a intensidade exata que eu preciso para falar de tudo. As notas agudas nos pontos críticos, o desenvolvimento lento quando o fôlego chega ao fim, a nota maior fica como última, mostrando o final feliz que a história leva.
E saí falando até comigo mesma, me envolvi em histórias de guerra, em histórias verídicas em que fui a vilã, contos de fada que apareci como a mocinha. Foi perfeição e foi desastre. Sonho e pesadelo. Vontade e desgaste.
Criei sem medo de aparecer, sem medo de chamar atenção, criei por vontade, criei porque pude.
E, ao fim, a coreografia está pronta.