"Ô, meu bem, não vai. Senta nas cadeiras, guarda na geladeira e espera o jantar. Deixa essa correria lá nos esgotos. Para nós dois só quero uma coisinha: sossego. Nada de navios quebrando em grandes pedras de gelo, nada de desespero. Só eu e tu, João Alguém, calando o mundo com o colchão. E que nem ousem tirar esses cabelos ralinhos de mim, que nem ousem tirar esses olhos castanhos de mim, que nem ousem tirar minha poesia viva de mim. Nossos nomes são desiguais, mas que verdade há? Nada precisa ser igual, só encaixar as pecinhas, meu amor. Então, senta no sofá e diz o dia foi uma canção qualquer, só para eu te mimar. Então deita que faço café forte, poesia não é meu forte, mas posso te fazer também. Só deixa teu cheiro por aqui, para desfazer e quebrar essas agonias, para eu refazer e tentar me suicidar fazendo poesia. Ah, se um dia eu poeta fosse… Levaria essas lamúrias para transformar, reformar, refazer amor, para reconstituir e levar a dor. Ah, se um dia eu for poeta."
Trechos para João Alguém, Layla G.
10.2.12
at 2:04 PM