9.2.12

Meu coração deixou de ser metade. Quando vi teus olhos olhando pra mim, mesmo que fosse apenas por curiosidade de uma resposta, ou por dar atenção com quem está com a palavra; quando receio um movimento teu, por menor que seja, um suspiro, um pensamento, um gesto ou um olhar, parecendo até que te conheço muito bem. Quando me tornei fascinada e assim ainda termino meus dias; esse fascínio por ti aumentando sem controle. Quando te vejo lá longe, entre multidões e, mesmo assim, meu coração parece que vai sair de mim. E eu não peço pra ele fazer isso comigo.

Talvez o que eu quero é um beijo roubado, as bochechas rosadas de vergonha (por mais que isso já aconteça com uma certa constância), os olhos brilhando mais que o Sol. Quero felicidade transbordando e amor em abundância. Quem sabe, o que eu queira mesmo é poder te dirigir as palavras que eu já ensaiei vezes e mais vezes em frente ao espelho, mas pessoalmente o diafragma não deixa a pronúncia ou dicção serem eficazes. As palavras ficam presas, travadas na garganta. Tenho uma sensação de afogamento grave toda vez que chego em casa e sorrio comigo mesma, simplesmente por ter estado em tua companhia. E quando estou contigo, palavras saem pela metade, sou intimidada e uma vogal sempre falta. Quero te dizer que você é uma daquelas pessoas que conheci que, sem encostar um dedo em mim, me tocou. Me fez parar meu pensamento, esquecer do obsoleto e do mais importante também, fingir que o resto do mundo não existe e ser só tua. Quero te falar que entrasse na minha rotina inteiramente, quando me acostumara com metades. Enfim, dizer-te que meu coração deixou de ser metade, pra ser inteirinho teu.