Chegou. Tênis de sempre, jeans e camiseta da sua banda preferida. O olhar de preocupação, seriedade e concentração desapareceu assim que entrou na sala, pela alegria de, naquele instante, ali estar. Calada, o sorriso dela bastou para informar o que queria dizer; ali poderia permanecer. A tarde ia chegando ao seu fim e as palavras fluíam de modo ímpar. E quando a companhia é agradável, o tempo voa.
Os assuntos iam e vinham numa voracidade completa, num entusiasmo recíproco. Pontos em comum encontrados ao citar-se as dores que partiram o peito ao meio, a descrença no palpite, a fidelidade ao 'papel e caneta', ao tédio nos domingos. Ela contou-o sobre sua semana, o quão desastrada pareceu ao tropessar na entrada da sala de reuniões, nos tédios que enfrentou principalmente logo após o horário de almoço, sobre sua alegria ao receber o convite dele, fora uma surpresa. Contou-o também sobre o medo que teve quando teve um pesadelo, algo que desaparecera das noites dela há meses. Que medo sempre foi um sentimento muito forte pra ela, mesmo que não constante. A intensidade do medo assustava-a mais do que o motivo de sentir o que sentia. Tudo parecia passar tão depressa, ela confessou, adicionou comentando que poderia parar em alguns instantes, só pra aproveitar dignamente, como o momento merece. "Esse, sem dúvida alguma, seria um deles". Seu jeito sem graça veio à tona quando ele concordou.
Quando ele começou a falar, simplesmente vagou pelos assuntos assim como passaram as horas na semana dele, de um jeito confuso, apressado, mas com aquele característico jeito calmo que possuía. Filosofou sobre a padronagem do tempo, ''if I woke up in the morning and the world was back to front...''. E comentou que o medo é bom, afinal, te deixa atento. Presente, são. Ela concordou, sabia que ele tinha razão. E então ele seguiu naquelas oscilações de assuntos, no vai e vem das ondas da praia, ah!, como ele queria poder ir na praia, ficar sem fazer nada durante o final de semana inteiro. "E nós poderíamos ir juntos, não achas?" De novo, ela ficou sem graça. De novo, só sorriu e concordou, sabendo que seu sorriso bastava como resposta.
Assim, ela soube que era hora de ir para o próximo compromisso, o último do dia, por mais que, dali, não queria sair. Uma frase sem jeito pronunciada, um desejo de boa noite, até amanhã, a gente se fala, se cuida, te ligo. Já saía quando ouviu passos atrás dela, alguém a segurou pelo braço.
"Não vai, fica. Tenho medo quando não estás comigo. Tenho medo de, por algum acaso da vida, não te veja mais por aí, por aqui, do meu lado. Fica pra tomarmos mais um café, conversarmos sobre nossos planos, sobre a vida, não sei. Fica porque te quero aqui e agora. E não só agora, quero sempre. Tua ausência me enfraquece. Por isso, fica."
"e cada pequena ausência é uma eternidade":
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