Talvez devêssemos permitir-nos a fazer mais, a ser mais e a querer mais. Afinal, quando foi a última vez que tomamos banho de chuva sem preocuparmo-nos com o sapato que não pode molhar, os cartões de crédito na carteira do bolso de trás, o celular e o cabelo? Quando foi que dormimos até tarde por pura preguiça? Ou simplesmente permanecer a manhã toda embaixo dos cobertores, simplesmente pra nada? Quando foi a última vez que rimos ao chegarmos atrasados e, ao mudar o caminho pro trabalho de todos os dias, encontramo-nos perdidos no nosso próprio bairro? E quando foi a última vez que cobiçamos algo que acreditávamos ser impossível alcançar, mas no final, alcançamos?
O medo é maior quando nos encontramos sem nada para nos orgulhar; nenhuma conquista, nenhum 'querer'. Nada de adrenalina, nenhum risco de batimentos acelerados por causa da presença de anfetaminas. Sonhos se tornam simples revisões dos acontecimentos da semana e as conversas se tornam motivos de tédio.
Quem sabe o sonhar alto, o desejar e ambicionar, no final, faça bem à vida. À nós. Ter orgulho, sentir-se bem e gostar do que faz. Nada é mais satisfatório. Não chega-se à alegria sem ter passado por uma tristeza. Tudo é aprendizado, tudo é amadurecimento, tudo é mudança. Saudável mesmo é elogiar e tratar bem desconhecidos que atravessam o seu dia de alguma forma, é ter crises de riso sem razão, é sentir-se bem acompanhada, é compartilhar o que se gosta muito, é sentir-se realizado.
Amanhã é dia de ser saudável.
Que o mundo seja pequeno para nós.
"De nada serve ao mundo fazer-te de pequeno"
- Ranier Maria Rilke