17.10.12

Esqueci

I

Esquecemos. Por quê?
Esquecemos porque queremos, porque devemos, porque simplesmente sim. Pode ser que esqueçamos por medo, por rancor, por indiferença, por dever. Esquecemos para crescer? Ou para amadurecer? E então, por que não esquecer por simplesmente cometer o mesmo erro novamente? Esquecemos o que não queremos também. Também? Mas, de fato, nós esquecemos o que não queríamos esquecer ou fingimos esquecer aquilo que queríamos, de início, esquecer? Existe uma lixeira na memória, onde tudo pode ser restaurado, mas também deletado para sempre? Existe aquele que tudo lembra? Por que, então, lembramos? Esquecemos lembranças, mas não lembramo-nos do esquecido. O que foi esquecido, não se recupera, nunca mais? E os que querem esquecer, mas não conseguem? Quando não esquecemos, é por que nos queríamos lembrar? Mesmo? E quando flashes jamais recordados reaparecem em frente dos nossos olhos e tudo parece tão familiar? Por que, quando precisamos lembrar de algo a ser feito, nos esquecemos? E quando não há nada para ser feito, lembramo-nos de tudo que esquecemos? A vaidade chega ao ponto de conseguirmos esquecer alguém? Uma história? Por que é o cheiro que sempre permanece? Por que esquecemos primeiramente da voz, do som? E se fosse o contrário? Esqueceríamos de tudo também?

 

II

Esquecer-me
Te esquecer
Esquecerei-te
Hei de me esquecer
Mas você, é..
Esquecer-te não hei.

 

III

Como grãos de areia correndo
entre os dedos da mão,
as memórias padecem,
o esquecimento prevalece.

 

IV

Quando não é importante, esquecemos.
E quando é importante, eternizamos.

 

"Não se esqueça
por enquanto
de esquecer alguma coisa
pela casa
e vir buscar do nada"
http://afonsinhoteixeira.blogspot.com.br/