20.2.13

 

(...) foi o que eu penso ser o significado de let go. Eu senti, enquanto redigia aquele par de palavras, que meu coração ficava mais leve, que aquele fardo que minh'alma e memória carregavam se esvaía; ficando, a cada sílaba digitada, mais e mais distante, e me deixando cada vez mais leve. Eu estava esquecendo. Mais além, eu estava me libertando.
Devemos, às vezes, livrarmos de tudo que não nos conforta mais. O que nos deixa incomodados. O que nos faz perder o sono. O que fica juntando poeira no canto da mente e, quando mexemos, acabam saindo de lá apenas más lembranças. Como uma faxina sazonal, devemos fazer essa limpeza mental de vez em quando, revendo o que nos faz bem e o que não faz.
Assim, eu estava permitindo-me apagar da memória o que já não me era familiar. Apaguei, então, tudo que me invadia assim, vez ou outra, e acabava por deixa minh'alma triste, minha expressão pesada e meu pensamento atormentado. Foi como tirar um peso das costas, como quando você larga no chão o peso que carregou por um longo percurso e que acabou machucando seus dedos. Como quando você cumpre o que parecia ser impossível e a tensão termina. Ou quando você termina de falar o que estava ali, na ponta da língua, travado no meio da garganta, ardendo há muito tempo. É esse alívio que eu senti.
Um pouco mais de liberdade, um pouco menos de peso, um pouco mais de felicidade, libre para ser plena. A vida parecera começar agora, eu senti-me renovada e o sorriso era a palavra que melhor confortava-se em meus lábios. Como o abraço que me envolveu quando voltei pra minha doce realidade.

O sol nasceu, o meu abraço preferido estava ali, eu estava feliz. Eu estou, agora, em um estado pleno de felicidade.
Algo que ninguém jamais poderá roubar.