Se eu pudesse, tornar-me-ia mar.
De manhã,
Permaneceria gélida.
Causando arrepios nos que ousassem invadir-me
arrepios nos que permanecessem, estendidos, fitando-me em minha imensidão
arrepios das pontas dos dedos dos pés até o último fio de cabelo
Desconforto para os que desistissem de mim, virando as costas, fugindo
Dormência de satisfação aos que mergulhassem, sem hesitar, em meus braços
De tarde,
Permaneceria encantadora.
Resgataria memórias de infância
Ao derrubar castelos de areia
apagar palavras escritas na areia
extinguir pegadas deixadas na areia
Contentar-me-ia com os raios do Sol
Dar-te-ia, incessantemente, abraços e beijos
Deixar-te-ia saudades
Provocar-te-ia lágrimas de tristeza
Entregar-me-ia ao teu abraço
Quando em meu infinito encontraste-me
Rasgando teu conforto
Descobrindo tua pele
Envolvendo-te em imensidão
De noite,
Tornaria-me infinito.
Fingiria ser labirinto a quem me contemplasse
Refletiria em minha superfície o olhar de quem ama
a voz de quem me chama
o brilho da lua branda
Prenderia teu olhar
Engoliria tua fala
Roubaria teu sorriso
Acalmaria tua mente
Despertaria teus sentidos
Renovaria tua alma
(...)
Encantaria
E, ao fim do dia
Em tua boca
Tornar-me-ia
Poesia.