Saudade tem nome. Saudade tem endereço; cidade, bairro, rua, número e complemento. Saudade tem barba não feita, camisa de ótimas bandas e um sorriso torto que me deixa sem chão. Saudade possui braços fortes, melhor abraço do mundo e voz calmante. Saudade tem insônia de noite e sonolência e cansaço e mau humor nas manhãs. Saudade gosta de chocolate, saudade tem olhos da cor de chocolate. Saudade tem risada de menino, pensamento de homem. Saudade inspira, saudade respira, saudade suspira. Saudade possui discos, cds, livros, filmes, sede de mundo e fome de pele. Saudade conta piadas sem graça e histórias inspiradoras. Saudade tem talentos sem fim, saudade tem tantas músicas, sonatas, valsas, poemas, acordes e lembranças que chegam a irritar. Saudade não tem tradução, mas saudade fala diversos idiomas. Saudade está estampado no céu todas as noites, brilhando como um pingente de zircônia. Saudade é como a imensidão do oceano. Saudade tem filme, inconstâncias, humanidades e referências que me envolvem. Saudade é moço, saudade é bonito. Saudade é ócio, amor, descaso e vício no mesmo espaço. Saudade intriga, instiga e abriga. Saudade fugiu, voltou, somou, sumiu e multiplicou. Saudade é infinito cor de mar e aconchego de lar. Saudade machuca, mas reconquista. Saudade é imperativo, saudade é perpétuo. Saudade é tudo que eu quero reencontrar, ver chegar, pela porta entrar; e dessa vez ficar.