17.5.13

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Perco a respiração. Porém, dessa vez, é porque algo travado em minha garganta impede o ar de circular normalmente por dentro de mim. Algo incômodo quando forçado a desaparecer, algo que – às vezes – parece nem existir, mas algo que dói, esmagando-me de dentro pra fora. De alguma forma, é como esse vento gélido, sombrio, só que me envolve aqui e agora – onde não há nada nem ninguém além de mim, as ondas e um céu brilhante. As luzes da cidade ao fundo são encantadoras, porém utópicas; a cidade só é assim calma enquanto adormecida. E são das sombras que os medos reaparecem. Quem sabe essa distância entre mim e a cidade ao longe seja oportuna, e tudo isso não seja mais além de uma metáfora para o que se passa em meu interior.

A Lua não apareceu essa noite, e parece que estou, de fato, sozinha nesse lugar. O único pensamento em minha mente, nesse instante, são as terras do outro lado do oceano – parece que um filme passa em frente dos meus olhos, um rasante nessa água salgada, com agilidade, sem tocá-la, mas com uma proximidade quase impossível. Como se tanto passasse por mim tão rapidamente que eu não conseguisse prestar atenção nos detalhes – uma mensagem engarrafada, uma imperfeição na superfície azul, infinita e pacífica. Tenebrosa, essa imensidão. Infindável, opaca e profunda.

As responsabilidades são tantas, mas parecem, daqui, tão distantes que são inalcançáveis. Preciso fugir de mim, preciso encontrar minha paz. A mente incansavelmente estimulada, a noite não dormida, as incumbências intermináveis, o cansaço ignorado, coração clamando por pausa – pausa do quê, para quê? Sua constância é tão regular que parece adormecida. Estaria então adormecido? E ele, estaria agora adormecido, esperando inconscientemente o despertar de mais um dia?

As notas que palpitam dentro de mim são repetitivas – aquelas com dissonância, agonizantes, irritadiças. Dizem que é assim que nosso corpo comunica-se conosco, através de mensagens subliminares como alucinações, melodias conflituosas, visões. O mar encontra-se em minha frente. Ele, que até então tinha esse poder calmante sob mim, agora parece não surtir mais efeito algum sob minh’alma. Nem sei se encontro-me cansada demais ou perturbada demais. Pareço não ter limites, pareço estar procurando ir além deles a todos os instantes, ao mesmo tempo que pareço estar buscando por limites.

Quem sabe juventude seja isso, as noites não dormidas, as músicas ouvidas, as melodias imaginadas, as respirações aceleradas, as descobertas surpreendidas, as dores de cabeça, os problemas não resolvidos, os erros cometidos, as multidões enfrentadas, as palavras escritas, as palavras descritas, as palavras confortadas e as palavras descartadas, as luas cheias observadas, os momentos profundamente vividos – alguns deles desiludidos, as sensações extremas, as lições aprendidas, as histórias que ficarão marcadas para posteriormente serem narradas.

Há uma exceção para a minha sonolência interna: um nome. Que combina com o meu, que é forte em sua pronúncia e tímido como um menino. Impactante, presente, com sangue no olho por tudo que realiza. Observador, objetivo, com uma alma que abraçaria o mundo inteiro. Nome com sorriso, paciência de sobra e uma grandeza explícita. Minha metade, meu complemento, minha paz.

 

 

para ouvir
http://youtu.be/wLc9nCoxloY

 

"Detesto falar sobre melancolia aos leitores dessa vida, pois de desgraça os becos e senados estão cheios.
Por isso me isolo, finjo, ignoro e espero uma conversa boa para me animar.
Pegar uma pá cheia de vocábulos foscos só cavará um buraco maior ainda."