Gosto desse tom de melancolia. Nessa escuridão que toma conta do céu quando nem são seis da tarde. Gosto dessas músicas com apenas um instrumento e uma voz em tom triste, que dói na alma, mas conforta o coração; que dá trela pros pensamentos inquietos no canto d’alma.
Gosto desses textos que parecem terem sido escritos só pra mim, gosto dessas poesias realistas, que dizem que o amor é pra poucos. Que a Lua permanecerá solitária no céu. Que vêem as folhas caídas no chão como um sinal de melancolia, não boniteza, renovação.
Gosto do som dissonante que um piano é capaz de ter que aparece, vez ou outra, em minha cabeça. Que perturbam, que roubam a tranquilidade, que inquietam. Gosto dessa paz interna, ainda que uma lista interminável de afazeres para as próximas cinco semanas. Gosto dessa expressão calma – sorrisos nem sempre são necessários para mostrar que se é feliz consigo mesmo.
Gosto – em parte – da falta. Essa ausência que faz querer estar mais perto ainda. Que renova tudo, que faz tudo ter gosto de uma nova qualidade de chocolate – ainda melhor que todas as outras já experimentadas.
Gosto dessa praia vazia, desse céu nublado e do barulho da água se chocando contra as pedras. Gosto do vento gelado no rosto e como meu cabelo voa em todas as direções. Gosto desse canto que é só meu, ainda que nele esteja inserido um cantinho chamado saudade.
Gosto das fotos que aspiram solitude, gosto de como o Sol é o único brilho no fim da tarde que entra pela janela. Gosto desses momentos que consigo fazer o que quero; e não por obrigação. Gosto de como o vinho dissolve-se amargo pela boca e de como um filme parece ter um final mais triste ainda cada vez que é revisto.
Gosto dessa sensação de ter decisões a serem feitas, de ter opções a serem escolhidas. Gosto de dizer o meu nome com todo o orgulho que posso sentir de mim. Gosto de como, no final, consigo fazer com que tudo acabe bem e gosto tanto da sensação de calor – não do verão, e sim do cobertor durante o inverno.
Gosto de sentir essa sensação que a minha juventude apenas começou, e pareço que posso viver para sempre. Gosto daquelas madrugadas passadas em claro, em que nada mais importa a não ser nós mesmos.
Gosto dessas imperfeições que cobrem tua pele e que te fazem mais bonito pelo que eis. Deixam-te tão mais vivo, tão mais convincente. Gosto como somos quase um clichê, e gosto como nossos nomes combinam. Gosto como a gente fica assim, juntos.
para ouvir
http://youtu.be/CWVOg9PdO00