4.6.13

wait 'til you see his eyes

Gosto desse tom de melancolia. Nessa escuridão que toma conta do céu quando nem são seis da tarde. Gosto dessas músicas com apenas um instrumento e uma voz em tom triste, que dói na alma, mas conforta o coração; que dá trela pros pensamentos inquietos no canto d’alma.

Gosto desses textos que parecem terem sido escritos só pra mim, gosto dessas poesias realistas, que dizem que o amor é pra poucos. Que a Lua permanecerá solitária no céu. Que vêem as folhas caídas no chão como um sinal de melancolia, não boniteza, renovação.

Gosto do som dissonante que um piano é capaz de ter que aparece, vez ou outra, em minha cabeça. Que perturbam, que roubam a tranquilidade, que inquietam. Gosto dessa paz interna, ainda que uma lista interminável de afazeres para as próximas cinco semanas. Gosto dessa expressão calma – sorrisos nem sempre são necessários para mostrar que se é feliz consigo mesmo.

Gosto – em parte – da falta. Essa ausência que faz querer estar mais perto ainda. Que renova tudo, que faz tudo ter gosto de uma nova qualidade de chocolate – ainda melhor que todas as outras já experimentadas.

Gosto dessa praia vazia, desse céu nublado e do barulho da água se chocando contra as pedras. Gosto do vento gelado no rosto e como meu cabelo voa em todas as direções. Gosto desse canto que é só meu, ainda que nele esteja inserido um cantinho chamado saudade.

Gosto das fotos que aspiram solitude, gosto de como o Sol é o único brilho no fim da tarde que entra pela janela. Gosto desses momentos que consigo fazer o que quero; e não por obrigação. Gosto de como o vinho dissolve-se amargo pela boca e de como um filme parece ter um final mais triste ainda cada vez que é revisto.

Gosto dessa sensação de ter decisões a serem feitas, de ter opções a serem escolhidas. Gosto de dizer o meu nome com todo o orgulho que posso sentir de mim. Gosto de como, no final, consigo fazer com que tudo acabe bem e gosto tanto da sensação de calor – não do verão, e sim do cobertor durante o inverno.

Gosto de sentir essa sensação que a minha juventude apenas começou, e pareço que posso viver para sempre. Gosto daquelas madrugadas passadas em claro, em que nada mais importa a não ser nós mesmos.

Gosto dessas imperfeições que cobrem tua pele e que te fazem mais bonito pelo que eis. Deixam-te tão mais vivo, tão mais convincente. Gosto como somos quase um clichê, e gosto como nossos nomes combinam. Gosto como a gente fica assim, juntos.

 

 

para ouvir
http://youtu.be/CWVOg9PdO00