(Ou: Sobre dinamarqueses, sorrisos e hygge)
Esse é um daqueles raros momentos que podem ser narrados com First Day of my Life.
Os cabelos estavam bagunçados devido ao vento constante em alto-mar durante o verão e o encontro entre céu e mar parecia não existir - imensidão azul -, um sendo reflexo do outro, deixando todos boquiabertos, pensando o quão bela a natureza é.
O Sol brilhava forte sobre nós - o que depois resultaria num nariz avermelhado e braços com marcas de camisetas -, e a vida parecia uma música de jazz que toca ao fundo quando você lê um bom livro.
Ao longe avistávamos a estreita feixa de terra - era aí onde eu queria chegar -, melhor chamada de "a relaização de mais um sonho". As primeiras palavras no idioma desconhecido já podiam ser identificadas por entre a multidão - "como é engraçado, depois de tanto tempo, não entender o que falam ao nosso redor" -, e uma certa expectativa aumentava a cada litro cúbido de água percorrido.
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O primeiro dia no meu mais novo lugar favorito no mundo se encerrava com boa comida e uma cerveja estranha ao paladar, além de músicas conhecidas de filmes sendo interpretadas na feirinha ao nosso lado e conversas regadas a risadas e declarações de saudades - que ainda não se esgotara, e todo o tempo do mundo não seria suficiente para fazê-lo. Parecia que tinha se passado tanto tempo, ao mesmo tempo que tinha a impressão que nunca estivemos distantes.
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Foram três horas de caminhada, vários sessões de 10 minutos cada com um trecho da história - e que história - de um país que, de tanto que passou e do tamanho do orgulho de cada dinamarquês, podia ser facilmente do mesmo tamanho que a terrinha, mas se resumindo somente em uma cidade: Copenhagen.
Não havia uma paisagem feia, não havia um defeito à vista. O Parlamento aberto à todos, a educação para todos,.. e tudo com sabor de smoothie de morango - com chantilly e gotas de chocolate, porque estamos de férias, afinal.
O dia que parecia não ter fim tinha chego à metade quando atingimos o final do walking tour em uma paisagem saudosa: aquele píer para se sentar, pensar sobre qualquer coisa e observar os barcos recheados de turistas faziam querer permanecer ali, sem vontade de voltar, de compartilhar aquela vista com tudo e todos.
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A visita à cidade das cores (come and see it!) já parecia estar completa o suficiente quando, depois de um almoço/janta, como quiser, deparamo-nos com a felicidade em forma de local: Tivoli Gardens - o segundo mais antigo parque da Escandinávia e do mundo.
Não eram só flores e construções com as mais diversas formas, cores e tamanhos. Parecia que tudo naquele lugar havia sido pensado, planejado e feito para deixar qualquer um com um sorriso na cara, fosse ver as diversas gerações de uma mesma família divertindo-se naquele mesmo lugar, fosse tomar um sorvete com sabor de alegria ou ouvir os pássaros cantarem durante o dia todo.
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Nosso último dia na capital dinamarquesa começou relativamente tarde, mas com direito a doces tradicionais e deliciosíssimos como café da manhã (ou almoço, como quiser).
Após mais caminhadas, conversas na Christiania, refeições espontâneas, garantias de compartilhar tudo que vimos com os mais próximos e algumas indicações do que fazer após o início da noite, sentimo-nos crianças novamente crianças ao entrar em lojas de brinquedos - o que rendeu o desejo de ter uma casa construída de Lego, uma partida de supermario, melodias num miniacordeon, e um tabuleiro magnético de xadrez como nosso mais novo mascote.
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O planejado então era uma breve pausa no hostel e uma ida ao bar indicado. O que aconteceu, na verdade, foi um par de frases em dinamarquês com o vendedor de hot dogs ("God aven!"), cervejas com sabor de girafa e elefante, um concerto quase privado do jovem italiano amante de Hallelujah e a memória mais feliz de todas em mente: quando, de olhos fechados e lábios ansiosos encontrando-se pela primeira vez, a chuva pareceu mais uma plateia nos aplaudindo de pé.