2.10.24

(i found you)

'Eu acho que foi falta de coragem', você fala enquanto o reflexo da luz da vela que te ilumina não brilha mais do que teus olhos. Eu tinha acabado de perguntar o motivo pelo qual você nunca tinha falado nada. Porque pra mim, na minha cabeça, você era indiferente. E a gente acabou o que jamais começou do jeito mais esquisito possível; através do silêncio. 

Corte seco para (quase) dez anos depois. 'Será que é assim que os personagens dos filmes se sentem?', e é você quem me pergunta dessa vez. Ainda me sinto atônita por saber que faz anos que eu sou seu ponto fraco. Entendi foi nada. Meu coração também não. 

Inclusive, entendimento nunca foi meu forte aparentemente. Até poucos dias atrás, em que comecei a preferir a tua companhia. Porque é tão fácil. Tua visão de mundo, tão diferente da minha, é tão mais tranquila. Minha mente em parte te inveja; talvez por isso ela te queira por perto. Eu te quero por perto. 

E é uma loucura completa. Por vezes, parece que uma brecha no passado foi aberta, e de repente eu me sinto uma completa adolescente sem responsabilidades e sem a necessidade de pensar no depois - teu perfume em mim. Em outros momentos, os (quase) dez anos que literalmente nos separaram me trouxe a maturidade de discernir o que é tesão do que é planejamento. E eu começo a buscar por incompatibilidades. 

Eu busco com a ânsia de encontrar um 'porque não'. E você alimentando minha nova playlist preferida. 

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Fazia tanto tempo que eu não me sentia assim. Sorriso meio bobo, com vontade de escrever novamente. Dessa vez, talvez seja para ordenar os pensamentos que você tem deixado tão bagunçados. O que é tudo isso? O que tudo isso significa? E a partir de agora, para onde vamos? Como vamos conviver sem dar brechas? Onde você vai almoçar amanhã? O que você está fazendo? Quais são seus planos pro jantar? 

Te pergunto qual é o seu perfume pra calar a minha mente, que anda gritando e andando em círculos. O meu cheiro preferido é o seu, você responde. Há tanto tempo eu não sentia as borboletas no meu estômago. Estaria eu apaixonada por essa sensação? Ou sempre foi por você?