e só de lembrar da tua respiração no meu pescoço, eu já me desmonto inteira. de novo.
sabe, eu queria ser mais irresponsável. pagar pra ver, fazer pra valer. sentir meu corpo arrepiar, minhas pernas tremerem. fazer um test-drive da eternidade. e se realmente for tão bom assim? mas e se não for?
te confesso que eu não lembro de muita coisa de uma década atrás. não sei se a gente encaixava, não me recordo se passava madrugadas acordada pensando em você, ou no efeito que você tinha sobre mim. e aí eu começo a pensar se duvidar das minhas certezas atuais seria válido ou não. porque eu não posso colocar a minha felicidade à prova. ou posso - só eu posso, na verdade.
a sensação que fica é que eu estou sendo injusta. comigo, contigo e com mais gente. me sinto suja. o que, por vezes, talvez é o que eu quero. em outras, é só arrependimento, aversão. tudo que eu progredi até aqui parece ter evaporado. porque se tu quiser, eu gostaria que você ficasse um pouco mais.