10.11.24

shiver

A taça de vinho ainda suja na mesa. O disco ainda na vitrola, o lado B ainda não tocado. Minha respiração na tua nuca. A temperatura do quarto arrepiando minhas costas. Já teu toque, quente. Teu cheiro tatuado na minha memória. Tuas mãos no meu contorno. Explorando limites, matando a sede.

Eu viveria por muito tempo aqui, assim, agora. Porque a vida parece estar em suspenso. E está. Minha mente quer vociferar versos, mas eu fico calada; ainda que sentindo. Tudo.  

Gosto de te ver sorrindo. Me machuca te ver ferido. Queria te proteger contra tudo que há de ruim, porque você merece só o que há de bom. Mas eu teria que te esconder de mim, porque coisa boa, não sou; e sabemos disso. 

Porque eu gosto do teu infinito. Eu gosto do que somos quando estamos juntos. Eu gosto de mim quando você está por perto. E me pergunto por quanto tempo será assim. Porque, no passado, sempre foi. Viajar no tempo nunca foi tão bom - e tão real. 

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Eis aqui uma memória que nunca aconteceu.