Minha dor é o que me sustenta.
É no escuro que eu me sinto mais segura.
Um vazio sem razão.
Uma consciência sem paixão.
Palavras sem nexo,
Documentos em anexo.
Um coração vazio,
Que pretende permanecer vazio.
Palavras ditas ao nada.
Vazio da palavra.
Cartas reescritas e apagadas.
Benditas palavras esgotadas.
O esboço de um riso,
Muito distante de um sorriso.
Abraços distantes,
Nos braços de um viajante.
Um coração sombrio,
Vivendo um vazio.
Um eu-lírico esquecido,
Abandonado à própria sorte.
Dias se passam.
Faces se contrastam.
Versos recitados.
Poemas não apaixonados.
Corações abandonados,
De estranhos recebendo cuidados.
Vazio da razão,
Longe da paixão.
Perto de você não existo mais,
Longe de você, busco minha paz.
Versos sem rimas.
Palavras que um dia já foram minhas.
Uma rotina repetitiva, existente lá fora.
O silêncio predomina agora.
Palavras deixadas de lado,
Como amores arduamente amargurados.
Felizes foram os textos durante um dia,
Quando a amargura ainda não existia.
Do vazio, memórias perturbadas.
Covarde, me refugio em palavras.
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Depois de um bom tempo sem escrever,
esse texto é de minha autoria.
Ainda fresco, acabei de terminá-lo.
